Entender os aspectos teóricos da política promove o desenvolvimento e tem reflexos na sociedade

 

O projeto Unoesc Na Escola leva aos estudantes do Ensino Médio informações advindas de todas as áreas de forma que este conhecimento possa contribuir para a conquista da cidadania por cada um dos participantes. Para isto, alguns professores cedem seu tempo e comprometem-se com palestras referentes a aspectos desta empreitada. Um exemplo claro disso são as intervenções do professor Márcio Trevisol sobre Ética e Política em Tempos de Crise. Em entrevista, o professor explicou o tema abordado.

A política e os reflexos na sociedade

A palestra se desenhou a partir da tese sobre importância da política e os reflexos disso para a sociedade. De maneira geral, a perspectiva é sempre dar um panorama geral, falar da conjuntura política envolvendo a questão ética. Depois desta análise, levanto alguns elementos práticos da vida do aluno do ensino médio e como isso interfere na vida como um todo. A falta de consciência política acaba interferindo diretamente em tudo na sua vida.

 

Influência da mídia tradicional

Os alunos recebem bem a palestra, ficam atentos e de maneira geral participaram bastante desta construção, inclusive depois da palestra permaneceram conversando comigo. Evidentemente o momento histórico que estamos vivendo no Brasil contribui para isso. O importante é que em muitos casos, acaba-se tendo uma visão distorcida dos fatos que acontecem no âmbito político. A mídia tradicional não consegue conduzir com uma visão mais profunda, mais crítica sobre este momento histórico. Eles tomam isto como uma verdade estabelecida. Ficam concentrados a dimensão política as condições de impeachment, de corrupção, e aí se perde toda a construção política que se dá na sociedade. A palestra tem também este fundamento de aprofundar estas questões para além dos temas previamente selecionados pela mídia.

 

As perguntas mais frequentes

As perguntas mais frequentes se referem ao processo de impeachment, perguntam se é golpe ou não, perguntas referentes às questões partidárias, questões de permanência de partidos. Eles têm perguntado também se seria melhor ou não a realização de uma nova eleição. São temas que são jogados por esta mídia tradicional. A palestra tem por fundamento aprofundar isso e fazê-los entender que a política vai muito além desses temas.

 

Fugir do superficial, do banal e levar um pouco de informação teórica

Hoje há uma abertura maior por este momento histórico que nós vivemos, mas inegavelmente a gente precisa aprofundar estes temas. E quando se diz aprofundar não significa pensar apenas do ponto de vista ideológico, mas no sentido de degustar e aprofundar conceitualmente isto, na tentativa de não banalizar os conceitos. Nós temos uma vasta produção teórica na ciência política que entende isso e reflete a condição brasileira. Então, quando eu falo em aprofundar é recuperar estes temas, do ponto de vista teórico, e não banalizar, não ficar numa discussão superficial. Há uma carência desta discussão em todos os ambientes da sociedade de forma mais profunda, até para que possamos entender a nossa própria condição de cidadão brasileiro.

 

Partidos políticos

A palestra não tem uma abordagem político-partidária. Em alguns momentos até poderia ser abordada esta questão, mas a palestra tem por objetivo refletir esta discussão dentro da abordagem teórica sobre a política. Então, quando a gente olha o Brasil precisamos entender que ele tem certas características já firmadas – históricas, sociais. Não podemos abandonar a informação de que nós formamos um estado elitista, classista, e que tem muitas dificuldades de diálogo com as minorias, com os excluídos da sociedade. Não há como fugir disso. Agora, a maneira como cada partido vai trabalhar, entra na bandeira partidária.

A palestra tem por objetivo fazer o aluno do ensino médio compreender a realidade brasileira dentro da conjuntura política e não partidária. Da outra forma, cai-se sempre na superficialidade do amor ao partido, sem ter condições de criar um cenário nacional. É uma abordagem histórica, social, dialética, mas sempre no sentido provocativo. Ela precisa provocar o aluno a pensar na sua condição enquanto cidadão, na sociedade, e pensar na condição brasileira. No momento que a gente consegue provocar, consegue também visualizar novos horizontes. A minha palestra não é de reafirmação do consagrado, ao contrário, ela é provocativa, ela quer quebrar o paradigma, discutindo as dinâmicas sociais e políticas.

 

A palestra aguça e possibilita a construção cidadã

As posições do senso comum são perversas porque tornam uma verdade consagrada e impossibilitam a construção através deste ponto racional. A ideia de que a política não serve para nada ou de que todo político é corrupto e ladrão é marcada por estes discursos midiáticos que inflamam isso. Mas é verdade também que nós, brasileiros, ainda não sabemos votar plenamente. Agora, é uma construção. E como é que a gente constrói uma consciência de voto, de cidadão participativo? Em inúmeros aspectos. Um deles é na educação. Por isso que este tipo de palestra aguça e possibilita esta construção cidadã.

O brasileiro ainda, enquanto indivíduo, deve aprender a votar. Deve conseguir entender as manobras de poder que podem muitas vezes conduzir ou alienar este processo. Por outro lado, temos que pensar o nosso sistema político que, em muitos casos, não nos possibilita que haja esta conscientização cidadã. É um sistema político ainda marcado por atos de propina, de corrupção. Aí então a política, ao invés de ser um espaço aberto de debates, acaba sendo um espaço que define quem vai ocupar as cadeiras, a partir da condição financeira que tem. Por isso que a propina é tão importante e torna o processo burocratizado de eleições, que é exatamente o contrário da ideia que nós defendemos de democracia e de política. A inserção destes temas no ensino médio é fundamental para melhor a condição brasileira. Aproveito a oportunidade para fazer um elogio à Unoesc, ao programa Unoesc Na Escola. Acho que este é um compromisso da universidade com a comunidade.

 

A universidade promove o desenvolvimento tecnológico, da ciência e também da consciência cidadã

Este formato de interação adotado pela Unoesc através do projeto Na Escola é uma das melhores formas de produzir sujeitos conscientes. A universidade é promotora do desenvolvimento tecnológico, científico e econômico da região. Ela também se engaja fundamentalmente em fazer com que esta região melhore do ponto de vista político, do ponto de vista da construção do coletivo. Então este programa no qual eu fui convidado a palestrar me parece um dos grandes caminhos que viabilizam a formação cidadã na região. E esta é uma das funções da universidade.

 

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